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segunda-feira, 8 de abril de 2013
Ministério Público Federal bota a Polícia Federal para cima de Lula. O chefe do Mensalão está em apuros.
Doação da Portugal Telecom ao PT é a ponta do iceberg que pode arruinar a trajetória política de Lula
domingo, 7 de abril de 2013
O Partido Político, segundo Antonio Gramsci
"O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume". O PT é a representação categórica do Moderno Prícipe no Brasil.
Oposição leva milhares de eleitores para as ruas na Venezuela
Tarso defende luta política pela regulamentação da mídia
Em entrevista à Carta Maior, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, defende a necessidade de intensificar a luta política em defesa da regulamentação da mídia e do setor de comunicação como um todo. Definindo essa agenda como uma promessa não cumprida da Constituição de 1988, Tarso critica a ausência de diversidade de opinião no atual sistema midiático brasileiro e cita a postura editorial do jornal Zero Hora como exemplo de um processo de ideologização das notícias, recorrente no Brasil.
Marco Aurélio Weissheimer
Porto Alegre -As matérias de Zero Hora criticam as decisões que estamos tomando, baseadas no nosso programa de Governo, a partir da ótica do Governo Britto e Yeda, sem dizer que estão defendendo um programa de governo oposto ao nosso, já que foram e são grandes entusiastas das privatizações e das demissões de servidores públicos de forma irresponsável, as chamadas "demissões voluntárias".
O debate sobre o tema da regulamentação da mídia e do setor da comunicação como um todo enfrenta pesada resistência e oposição no Brasil. Na sua opinião, qual o lugar que essa agenda ocupa – se é que ocupa – hoje no debate político nacional?
Tarso Genro: A questão da chamada "regulamentação da mídia" - que na verdade não trata nem do direito de propriedade das empresas de comunicação e muito menos da interferência do Estado nas redações ou editorias - é uma questão-chave do avanço democrático do país, das promessas do iluminismo democrático inscritas na Constituição de 88 e mesmo da continuidade da presença dos pobres, índios, negros, excluídos em geral, discriminados de gênero e condição sexual, trabalhadores assalariados e setores médios que adotam ideologias libertárias, na cena pública de natureza política.
Mas essa promessa permanece não cumprida. O que é preciso fazer, na sua avaliação, para que ela se torne realidade?
Tarso Genro: É preciso "forçar a barra", através da luta política, para que ela reflita no Congresso a exigência de uma sistema legal, regulatório e indutivo, para a formação de empresas de comunicação, cooperativadas ou não, estatais e privadas, que possam sobreviver e ter qualidade, independentemente do financiamento dos grandes grupos de poder financeiro e econômico, que tentam controlar a formação da opinião de forma totalitária.
Como fazem isso? Ideologizando as notícias e selecionando os fatos que informam o público consumidor de notícias, a partir da sua visão de Estado, da sua visão de desenvolvimento, da sua visão das funções públicas do Estado, gerando uma espécie de "naturalização" do neoliberalismo e mascarando as premissas dos seus argumentos.
Cito alguns exemplos: reforma do Estado significa reduzir o serviço público e demonizar empresas estatais, como estão fazendo atualmente com a Petrobras; redução dos gastos públicos significa diminuir as despesas de proteção social; o "custo Brasil", para eles, é originário, não da supremacia da política rentista, característica do projeto neoliberal, mas principalmente das despesas com direitos trabalhistas e impostos; parcerias público-privadas são vistas apenas como "oportunidades de negócios", para empresas privadas e não como uma relação contratual, que combine o interesse público com o interesse privado; a corrupção é sempre culpa do Estado e dos seus servidores, omitindo que ela tem outro polo, o polo mais ativo, o privado, que disputa obras e serviços, corrompe funcionários e manipula licitações, nas suas concorrências predatórias.
Essa relação entre a política e a mídia costuma ser carregada de tensões e conflitos. Como político e gestor público, como procura lidar com esse tipo de situação?
Tarso Genro: Tive algumas experiências diretas interessantes com este tipo de manipulação: quando iniciei a implementação das cotas para negros e afrodescendentes no país, através do Prouni - ali eu era ministro da Educação - a grande mídia atacava a proposta, apoiada por acadêmicos de direita e da chamada extrema-esquerda, porque as cotas iriam baixar a qualidade da Universidade, já que os negros e afrodescendentes eram originários da escola pública e não tinham uma formação compatível para cursar as Universidades da elite, que são as universidades privadas. Puro preconceito, como se vê, tornado notícia isenta. Hipnose fascista, como argumentava Thomas Mann, na época do nazismo.
Outra experiência bem significativa foi quando, como Ministro da Justiça, deferi –baseado em jurisprudência do Supremo, nas leis e na Constituição, o refúgio para Cesare Battisti. Battisti não era, para a grande mídia, um cidadão italiano buscando refúgio, mas um "terrorista. O pedido de refúgio era divulgado, então, como pedido do "terrorista Césare Battisti", para induzir o consumidor da notícia a ser contra o refúgio, pois ninguém de sã consciência quer abrigar terroristas em seu território. A grande mídia repassava sem nenhum pudor, para os leitores e espectadores, portanto, a tese do corrupto Berlusconi e dos fascistas italianos, de que Battisti era um simples bandido. Pura manipulação da informação para obter resultados favoráveis às suas opiniões e posições políticas pré-concebidas. Quase conseguiram.
Os exemplos aqui no Rio Grande do Sul também são fartos. Atualmente temos "fronts" onde esta disputa se desdobra. Temos o direito de dizer que é um jornalismo comprometido com uma visão do passado, este, da Zero Hora, que desqualifica constantemente o nosso governo, com distorções em notícias, cujos fatos são selecionados para dar uma impressão de neutralidade.
Com qual visão de passado, exatamente?
Tarso Genro: Ora, a situação financeira estrutural do Estado é ruim há muito tempo e nós nos elegemos com o compromisso de investir, melhorar o salário do servidores - que estavam arrochados duramente- e recuperar as funções pública do Estado. As matérias de Zero Hora criticam as decisões que estamos tomando, baseadas no nosso programa de Governo, a partir da ótica do Governo Britto e Yeda, sem dizer que estão defendendo um programa de governo oposto ao nosso, já que foram e são grandes entusiastas das privatizações e das demissões de servidores públicos de forma irresponsável, as chamadas "demissões voluntárias".
O governo Britto fracionou e vendeu a CEEE por preços irrisórios, deixando as dívidas trabalhistas e das aposentadorias dos servidores com o Estado. Negociou as dívidas com a União, comprometendo-se a pagar juros exorbitantes e promoveu, assim, um estoque de dívida impagável. A governadora Yeda vendeu ações do Banrisul para pagar despesas correntes, não para - por exemplo - pagar contrapartidas para drenar mais recursos para investimentos, e fez o chamado (falso) "déficit zero", arrochando salários e promovendo uma redução brutal nas políticas sociais e nos investimentos públicos, além de não captar recursos da União Federal, já que seu governo estava permanentemente atravessado por disputas internas. Ou seja, este jornal - e alguns editoriais de rádio e TV da mesma cadeia - estão já fazendo campanha eleitoral, para tentar restaurar, no Estado, as políticas destes dois governos, pois à medida que escondem as responsabilidades pela situação do Estado e exigem de nós, soluções imediatas, que sabem ser impossíveis e que não foram propostas no nosso Programa de Governo, estão saudosos destas políticas de privatização do Estado, que não deram em nada em lugar nenhum, a não ser atraso e crises sociais.
Um exemplo que chega ser hilário desta paixão saudosista é a forma com que eles tratam a questão dos pedágios no Estado e a parceria público-privada, para a construção da RS 10. Quanto ao primeiro assunto (pedágios), jamais avaliam os superlucros e os preços cobrados pelos pedágios, nem avaliam os investimentos feitos pelas concessionárias, para medi-los com estes preços e lucros. Quanto ao segundo assunto (parceria para a construção da RS 10) nos pressionam (ou pensam que nos pressionam), através de editoriais e notícias mal disfarçadas - mas são recados neoliberais - que devemos ser rápidos, acolhendo a proposta que vinha sendo negociada pela Governadora Yeda, sem pensar um minuto nos custos para o Estado e, inclusive, nas garantias que o Estado deve oferecer, nas suas precárias condições financeiras, herdadas dos governos Britto e Yeda, cujas promessas eles tinham grande simpatia.
Este tipo de crítica dirigida diretamente a uma empresa de comunicação costuma ser associado a um tipo de censura ou ameaça à liberdade de expressão. Como vê esse tipo de objeção?
Tarso Genro: Tem o direito de fazer tudo isso, é óbvio, mas se tivéssemos fortes órgãos de imprensa, TVs e rádios, que fizessem circular de forma equivalente as informações do governo e a opinião dos usuários, obviamente toda a sociedade ficaria bem mais esclarecida e livre, para formar a sua opinião. Para informar, como se sabe, os governos que não adotam o receituário neoliberal, precisam pagar e pagar bem, com as suas peças publicitárias, pois as matérias em regra não são nem isentas nem equilibradas e passam, naturalmente, a ideologia dominante na empresa jornalística, às vezes até editando o trabalho feito pelo repórter, ou encaminhando para ele as "conclusões" isentas que a matéria deve conter.
Considerando a natureza conflitiva dessa relação, é possível, na sua opinião, manter essa postura crítica e, ao mesmo tempo, não fechar os canais de diálogo?
Tarso Genro: Temos diálogo com eles e vamos continuar tendo, até porque não confundimos a nossa função pública com as disputas político-partidárias, que estão na base destes conflitos. Frequentemente temos que usar, porém, os meios alternativos à grande mídia, as redes, os "blogs", as rádios independentes para divulgar as nossas posições, principalmente em épocas pré-eleitorais, quando a isenção se torna ainda menor e eles passam a preparar os seus candidatos para as próximas eleições. É o que está ocorrendo agora de forma acentuada, em temas de alta relevância para o Estado, como as finanças públicas, as parcerias e as políticas sociais do nosso governo.
PCdoB, portanto a deputada Manoela D'Ávila, apóia guerra nuclear da Coréia do Norte contra os EUA
Coreia do Sul critica ajuda do Brasil ao rival do Norte
Para diplomata, doações de alimento dão fôlego indesejado a Pyongyang
Norte-coreanos vivem crise humanitária; ao mesmo tempo, mantêm controverso programa de armas nucleares
DIOGO BERCITOENVIADO ESPECIAL A SEUL
Embora reconheça ser uma "boa atitude" que o Brasil envie alimentos à Coreia do Norte, o governo sul-coreano diz que isso não levará necessariamente à paz na península.
"A doação de alimento pode ter um efeito negativo", disse à Folha Jang Keun-ho, diretor-geral do departamento para a América Latina do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul.
Até março deste ano, o Brasil havia enviado 16 mil toneladas de alimentos à Coreia do Norte. Nos próximos meses, a doação chegará a 21 mil toneladas, o equivalente a US$ 8 milhões.
A lógica sul-coreana é que o vizinho do norte, com quem está tecnicamente em guerra, usa as doações de alimentos para ganhar fôlego para continuar seu controverso programa nuclear.
"A Coreia do Norte pode aproveitar para construir outros dispositivos que ameacem a região", diz Jang.
Em abril, o governo norte-coreano lançou um foguete, supostamente para colocar em órbita um satélite. A suspeita é que na verdade tenha sido um teste de um míssil.
A Coreia do Norte já enfrentou crises de fome no passado e tem carência crônica de alimentos. Após o lançamento do foguete, o governo dos EUA interrompeu a ajuda humanitária. "A Coreia do Norte tem de ser independente, mas responsável pelas suas atitudes", diz Jang.
O Itamaraty informa que a doação de alimentos é regulamentada por uma lei de junho do ano passado, que prevê a ajuda a países com carências alimentares.
VISITA DO CHANCELER
Feita a ressalva, o diretor-geral da divisão latino-americana do ministério reconhece que "o Brasil está trabalhando bastante para manter a paz no mundo".
Jang cita as relações comerciais, hoje marcadas pela exportação brasileira de ferro e pela importação de carros sul-coreanos. O Brasil, diz, é a porta de entrada da Coreia do Sul para investir na América Latina. "Não somos países em competição. Temos uma relação complementar."
O chanceler sul-coreano, Kim Sung-hwan, fará visita ao Brasil na próxima semana. Será a primeira visita em 17 anos.
O escritório latino-americano do Ministério das Relações Exteriores e Comércio da Coreia do Sul foi criado em meados dos anos 1990.
Colaborou FLÁVIA MARREIRO
O jornalista DIOGO BERCITO viajou a convite do Ministério de Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul
sábado, 6 de abril de 2013
Perlla beija o marido e diz: “Marco Feliciano me representa”
"Marcos Feliciano me representa", escreveu Perlla em sua conta no Instagram mostrando uma foto onde ela aparece beijando seu esposo, o músico Cassio Castilhol. A cantora é uma das poucas representantes do gospel que usou as redes sociais para prestar apoio ao deputado evangélico.
Grávida de sua segunda filha, Perlla lançou recentemente seu primeiro CD gospel pela Central Gospel Music. "Minha Vida Mudou" traz canções que falam dessa mudança de vida que a cantora, ex-musa do funk melody, teve desde que se tornou evangélica.
Entre os artistas que protestaram contra o deputado Marco Feliciano beijando pessoas do mesmo sexo temos: Bruno Gagliasso, Yasmin Brunet, Fernanda Montenegro, Ricador Blat, Camila Amado, Antonia Moraes, Tonico Pereira e Matheus Nachtergaele.
Feliciano assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias em março e desde então tem sido alvo de diversos protestos e manifestações pelo país. Apesar da pressão popular e política, o parlamentar já afirmou que não pretende renunciar ao cargo.
FONTE LEIA AQUI
sexta-feira, 5 de abril de 2013
O beijo na boca não pode ser a outra forma do escarro?
A imprensa brasileira, com medo da regulação e assediada por patrulhas internas e externas, está se tornando uma agente da ditadura do falso consenso: emburrece o debate, sataniza a divergência e lincha pessoas por delito de opinião. Ou: Beijo na boca não pode ser a outra forma do escarro
Do jornalista Reinaldo Azevedo
Um deputado que não pensa segundo os cânones de certa militância política assume uma comissão da Câmara. Tem início uma campanha para esmagá-lo, à qual adere quase toda a imprensa, ao arrepio de qualquer fundamento que orienta a boa prática jornalística. O secretário particular de um governador de Estado emitiu, antes ainda de ocupar a atual função, opiniões políticas distintas daquelas consideradas "progressistas". Um colunista de jornal se sente no direito de cobrar desculpas desse governador, e o veículo no qual ele trabalha dá início a uma campanha de desmoralização do funcionário. Um senador, possível candidato à Presidência da República, chama o, digamos, "evento" de 1964 de "revolução", e tem início uma patrulha agressiva porque, sustenta-se, o certo seria chamar de "golpe". Pessoas e forças políticas que se oponham às posições consideradas "corretas", quando não ignoradas, são impiedosamente ridicularizadas, tratadas como idiotas, vistas como expressões do atraso. A democracia brasileira está doente, e o nome dessa doença é intolerância. A imprensa, que deveria denunciá-la, transformou-se em agente do linchamento da divergência. Com medo da regulação, assediada por patrulhas internas e externas, torna-se, a cada dia, mais refém dos grupos de pressão e das militâncias organizadas. Quando não é ativamente fascitóide, é de uma pusilanimidade espantosa. Fecho este parágrafo assim: não existe esta sociedade de um lado só em nenhum lugar do mundo — ou, para ser mais preciso, em nenhuma democracia do mundo. Sociedade de massa de um lado só é fascismo. Se um dia o PT conseguir emplacar o "controle social da mídia" (algum controle virá, fiquem certos; lembro que o projeto defendido pelo partido numa resolução do Diretório Nacional prevê controle de conteúdo), não terá tanto trabalho assim. Restará uma cidadela ou outra a colonizar, a domesticar, a domar, a dominar, a esmagar. O que Hugo Chávez conseguiu na Venezuela por meio da violência está sendo paulatinamente conquistado pelos petistas no Brasil por meio da cooptação e da ocupação das redações por uma forma de militância política que já dispensa a carteirinha de filiação. A fantasmagoria imaginada por Gramsci (que ele achava ser a redenção da humanidade, o tarado!) começa a se materializar. O teórico comunista italiano afirmava que o "Príncipe" moderno não era mais, obviamente, aquele de Maquiavel. O "Moderno Príncipe" era o partido político. E ele sintetizou, então, como seria a sociedade sob o comando dessa força — eu não resisto à provocação — verdadeiramente satânica: "O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume". Bingo! É a definição do totalitarismo perfeito. Na sociedade antevista por Gramsci, é impossível pensar fora dos limites do que estabelece, então, esse "Moderno Príncipe". Desaparecem as noções de crime e de virtude. Esse ente de razão dirá quando cada ato é o quê, de sorte que, sob certas circunstâncias, pode-se tomar o crime por virtude e a virtude por crime. A verdade desse coletivo passa a ser o imperativo categórico. Afirmei que a causa gay está sendo usada como ponta de lança de uma ação maior contra a democracia representativa, comentei um texto de Vladimir Safatle (aquele humanista que toma um nascituro por uma lombriga). Ele chama a ação fascitóide contra Feliciano (e não! Eu não concordo com o deputado) de "o primeiro embate". Segundo Safatle, as ações contra o parlamentar representam uma "profunda discussão" sobre "a sociedade que queremos". Por alguma estranha razão, o seu "nós" — ele se refere aos brasileiros — não inclui o "eles". O seu "nós", de uma sociedade que chama "radicalmente igualitária", exclui os que pensam de forma diferente porque seriam apenas manifestações do atraso. Trata-se da reiteração do pior lixo produzido pelas esquerdas em sua história. Foi com essa visão de mundo que o comunismo se tornou a maior máquina de matar que a civilização conheceu. Subjacente a esse pensamento está a convicção de que a humanidade tem um sentido e uma direção — no artigo, ele sugere que até a história tem uma moral intrínseca — e caminha segundo alguma lei da evolução. E, é evidente, a esquerda estaria no comando desse processo; estaria aí para acelerar a história. Como bom esquerdista, Safatle nem aprendeu nada nem esqueceu nada. Sou, no entanto, realista e reconheço que eles estão avançando. Safatle mesmo só se tornou colunista fixo de jornal depois de ter tido a ousadia de especular, num artigo, sobre as virtudes da ação terrorista como um campo pouco explorado de um humanismo alternativo. Ele resenhava o livro de um delinquente intelectual chamado Slavoj Zizek. E, o que não me surpreendeu, conseguiu piorar o original. Vejo o noticiário de TV, leio jornais, revistas, sites… Escolhas políticas, valores ideológicos de grupos, patrulhas as mais odientas, tudo aparece como se estivéssemos diante de verdades universais. Nos dias de hoje, também o "Moderno Príncipe" de Gramsci passou por um aggiornamento. As minorias formam as células, que se organizam na rede, que é o partido. Aquilo que Marina gostaria de fazer, o PT já fez. Faz sentido. Ela é de lá. É que tem mais ambições do que o permitido… Poder-se-ia, ao menos, constatar, ainda que isso não mudasse o caráter autoritário do que está em curso: "Pô, Reinaldo, vivemos nesse mundo sem contraditório, mas reconheça que o Brasil está uma maravilha; estamos no caminho certo!". Pois é. Não estamos! Um país que não debate, que vive da reiteração das mesmas verdades, que sataniza o conflito de idéias, que busca eliminar a divergência, vai dar em quê? O governador Geraldo Alckmin indicou para seu secretário particular um jovem advogado chamado Ricardo Salles. Não sei a idade, mas deve estar na casa do 30, 30 e pouquinhos. Não participou, portanto, do golpe militar de 1964. Antes de ser indicado para a função, integrou um grupo chamado "Endireita Brasil" — que era público, não clandestino. Ainda que pareça exótico aos ignorantes convictos, existe uma direita democrática. Já houve um tempo em que jornalistas sabiam quem era Churchill e ignoravam a Beyoncé da época, seja lá quem for essa… Frases ditas por Salles num debate no Clube Militar foram escandalosamente retiradas do contexto e lhe atribuíram o que não disse: ele teria negado a existência de tortura durante o regime militar. Não negou. Também se noticia em tom de escândalo o fato de que criticou os rumos tomados pela Comissão da Verdade. Mais: em algum momento, ele teria chamado a presidente Dilma de terrorista — o que ele nega. Não se reproduziu texto nenhum seu com essa afirmação. Marcelo Rubens Paiva, colunista do Estadão e filho do deputado Rubens Paiva — que desapareceu em janeiro de 1971, sequestrado pela ditadura —, passou a pedir a cabeça de Salles, campanha endossada de maneira mais do que indiscreta pelo Estadão, por meio de reportagens. Marcelo foi além e exigiu, imaginem só!, uma "retratação" de Alckmin. De súbito, parecia que o governador e seu secretário eram, sei lá, dois agentes da ditadura. Marcelo já andou me criticando por aí. Respondi com bom humor. Ele pode achar que não tenho o direito de pensar o que penso, mas defendo o direito que ele tem de pensar o que pensa. Na minha República, haveria pessoas como ele; na sua, desconfio que eu seria banido. Ele pode achar que assim seria porque é melhor do que eu. Prefiro achar que assim seria porque sou mais tolerante do que ele, ainda que eventualmente ele possa ser melhor do que eu. Acho absolutamente compreensível que ele tenha uma percepção especialmente aguda, dura mesmo, daquele período. Certamente não foi fácil para ele e para sua família. Eu defendo a Lei da Anistia e acho um absurdo que a Comissão da Verdade esteja forçando a mão para ir além do que estabelece essa lei e a que criou a própria comissão. Mas me coloco na situação de Marcelo e me pergunto se eu também, vivendo o que ele viveu, não pensaria algo parecido. Tivessem sequestrado meu pai, seu corpo não tivesse aparecido até hoje, com a memória do sofrimento da família… Talvez eu quisesse revanche. Faço essa observação para deixar claro que não arbitro sobre questões e dores pessoais. "Não é questão só pessoal; é também política!", poderia objetar um indignado apressado. Sim, eu sei. Mas nem a dor de Marcelo o autoriza a cassar de alguém o direito à opinião. Tampouco o autoriza a cobrar do governador uma retratação. Por quê? Com base em quê? E, se é de política que estamos falando, indago: o filho de Rubens Paiva cobrou, alguma vez, retratação de Lula por sua proximidade com alguns próceres do regime militar, incluindo signatários do AI-5? Exigiu retratação de Fernando Haddad por ter se abraçado a Paulo Maluf na eleição para a Prefeitura de São Paulo — ou também Marcelo, a exemplo de Marilena Chaui, acha que, agora, "Dr. Paulo" deixou de ser um homem da ditadura para ser apenas um engenheiro? Salles não tem uma fatia do governo do Estado. Maluf tem um fatia da Prefeitura. Salles tem apenas uma opinião. Maluf é poder. Sem jamais relativizar os fortes motivos que tem Marcelo, eu me pergunto em que medida o passado está sendo usado para cuidar de demandas que dizem respeito ao presente. Estou tratando de matéria de fato, não de opinião: em 2013 (e desde 2003), é o PT que está próximo de fiéis servidores da ditadura, não Alckmin ou o PSDB. O governador não participou do golpe, tampouco seu secretário, que talvez tenha nascido já na década de 80. Tenta-se fazer um escarcéu porque Salles seria "crítico" da Comissão da Verdade. Eu também sou. E daí? E fui perseguido pela ditadura, o que não é o caso de boa parte dos patrulheiros. Alguns tontos nem sabem do que estão falando. O grupo começou os trabalhos anunciando que ignoraria o próprio texto que o instituiu. Existe para apurar também os crimes de grupos terroristas. Já deixou claro que não vai fazê-lo. O respeito à Lei da Anistia é pressuposto de sua existência. Paulo Sérgio Pinheiro, o coordenador da comissão — e outros membros se manifestaram nesse sentido —, já evidenciou o seu inconformismo com esse limite. A questão não é só de gosto, mas também jurídica. A Lei da Anistia é parte do arcabouço legal que instituiu a Constituinte no País. Ademais, anistia — e já houve outras — quer dizer esquecimento (no quer tange às questões criminais e políticas), não absolvição. Ora, então não se pode ser um crítico da Comissão da Verdade — ou mesmo se opor à sua existência na esfera da opinião (já que nada se pode fazer a respeito) — sem que isso transforme o indivíduo num agente da ditadura? Tenham paciência! Salles nega que tenha chamado a presidente Dilma de "terrorista". Acredito nele. Também já me atribuíram tal coisa, e nunca ninguém encontrou o texto. O que escrevi, sim, e escrevo de novo agora, é que ela pertenceu a dois grupos terroristas. A presidente não é, obviamente, terrorista. A militante Dilma Rousseff foi. Não é matéria de gosto, mas de fato. Claro, claro, sempre se pode argumentar que o Colina e a VAR-Palmares, que lutavam por uma ditadura comunista e mataram inocentes em sua trajetória, só queriam democracia. Essa é certamente a conclusão a que a Comissão da Verdade já chegou — daí que não vá investigar os crimes de organizações do gênero. Mas essa é só uma das mentiras que vai contar essa comissão. Qual é o problema do nosso jornalismo em encarar os fatos? Dilma tem orgulho de sua biografia. Já deixou isso claro mais de uma vez. É ilegítimo que pessoas possam ter uma abordagem crítica, negativa se for o caso, sobre o seu passado? Por quê? Porque Salles pensa o que pensa, isso faz dele um agente da ditadura, um homem conivente com a tortura, alguém impossibilitado de exercer a função que exerce? Um jornalismo que se entrega a essas especulações há muito abandonou a sua missão. Está fazendo campanha eleitoral antecipada. Na quinta-feira, foi a vez de o senador Aécio Neves (PSDB-MG) entrar na dança. Num evento do seu partido, num dado momento, referiu-se a 1964 como "revolução". A patrulha imediatamente apareceu: "Ah, ele chamou golpe de revolução"; "revolução é como os militares chamaram o seu golpe". Ora, até outro dia, os mesmos jornais que davam curso a essa questão ridícula referiam-se, em editoriais, àquele período como "Regime Militar", e ao golpe como "Movimento Militar de 64". E não era por imposição da censura nenhuma! Era evidente que o senador não estava fazendo uma escolha política. Referiu-se àquele tempo por uma das expressões pelas quais ficou conhecido. Nada além disso. A conversa mole que se seguiu é só mais uma manifestação desses tempos estúpidos, de embotamento da inteligência. Sem contar que foi Tancredo Neves um dos protagonistas do fim do regime militar. E não que essas coisas não devessem ser debatidas. Desafio qualquer historiador a provar, com dados objetivos e exposição de critérios do que seja uma coisa e outra, que 1930 tenha sido uma "revolução" e 1964 "um golpe". Aí o tontinho patrulheiro se assanha: "Lá vai o Reinaldo tentar provar que os militares fizeram revolução". Não, Zé Mané! Eu afirmo que 1930 também foi GOLPE, escancarado sete anos depois. Não existe revolução sem povo! De resto, povo por povo, havia muito mais em 1964 do que em 1930. A República brasileira, como sabe qualquer estudioso, foi inaugurada com uma quartelada. Então por que 1930 é "revolução", o ditador Getúlio Vargas é um herói, e 1964 é "golpe", e os militares passam por esse processo de banditização? Por ideologia rasteira. Os nossos historiadores se debruçaram sobre 1930 e enxergaram ali o confronto entre progressistas e reacionários, entre o Brasil arcaico e o Brasil moderno. Como se chegou à conclusão — e nem contesto o mérito — de que houve um avanço, então é "revolução". Já 1964 foi apenas "golpe" porque se entendeu que a nova ordem veio obstar a ascensão das camadas populares revolucionárias… As camadas populares revolucionárias não passavam de meia dúzia de radicais, que não resistiram ao primeiro tiro. Aliás, não se disparou em 1964 tiro nenhum. Também a ambicionada "revolução socialista" não tinha… povo! Um amante da objetividade é obrigado a indagar se os pobres brasileiros melhoraram ou pioraram de vida com o "golpe". A pergunta pode ser feita ao metalúrgico Lula, depois sindicalista, que viveu a era do milagre e tinha, como já confessou em entrevista, o seu "carrinho". Ia namorar de táxi, ele contou — um luxo a que o trabalhador brasileiro não se entrega ainda hoje. O mesmo critério que chamou de "revolução" a ditadura inaugurada em 1930 — "é o moderno vencendo o arcaico" — poderia transformar em "revolução" também o movimento de 1964. Também nesse caso o "moderno vencia o arcaico". Ah, mas, no regime militar, houve tortura e morte. E durante o Estado Novo? Ora… O Brasil precisa é de mais debate, não de menos; o Brasil precisa é de mais divergência, não de menos; o Brasil precisa é de mais dissenso, não de menos. E precisa de mais respeito às regras do estado democrático e de direito, não de menos. E olhem que isso tudo pode ser feito com muito beijo na boca. Que as bocas se beijem como expressão da tolerância, não para ofender aquele de quem se discorda. Beijo na boca que ofende, modificando um pouco o que disse o poeta, é só a outra forma do escarro.
Agora, sim, Ministério Público Federal começa a investigar Lula como verdadeiro chefe do Mensalão
Yeda rebate críticas e diz que faltou Tarso culpar dom Pedro I
Ex-governadora afirmou que o atual governo precisa assumir os seus atos sem "transferir responsabilidades"
Culpada pelo governador Tarso Genro, juntamente com Antônio Britto, pela atual crise financeira do Estado, Yeda Crusius rebateu as críticas e afirmou que "mais conquistas" não foram possíveis na sua gestão porque o PT e o governo federal teriam sabotado programas como o Duplica RS, a construção da ERS-010 e a adoção um novo modelo prisional em Canoas, sempre por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs).
Saiba mais: Tarso rebate balanço do PMDB com críticas: "Britto e Yeda levaram o Estado a essa situação"
A ex-governadora tucana defendeu o déficit zero, revelou que está terminando um livro para contar detalhes dos bastidores do Piratini durante a crise deflagrada por denúncias de corrupção do então vice-governador Paulo Feijó e, com ironia, afirmou que o atual governo precisa assumir os seus atos sem "transferir responsabilidades", em referência ao saque de R$ 4,2 bilhões feito por Tarso da conta dos depósitos judiciais para custear a máquina estatal.
Também citado por Tarso, Antônio Britto disse a ZH, por e-mail, que não irá se manifestar sobre "debates que são próprios de período eleitoral". O ex-governador alegou ter abandonado a vida partidária há 12 anos.
Confira a entrevista de Yeda:
ZH — Como a senhora avalia o saque de R$ 4,2 bilhões feito pelo governo Tarso da conta dos depósitos judiciais do Estado?
Yeda Crusius — Isso é uma decisão do governo, de política global. Só posso dizer que ela é desnecessária. No nosso governo, provamos que dava para ter equilíbrio nas finanças públicas e pagar as contas. Não é preciso gastar mais do que se arrecada. O chamado déficit zero, que aos poucos as pessoas vão entendendo, é um caminho para investir, para fazer políticas sociais, políticas econômicas. Não é preciso estourar de novo as finanças públicas. Conquistamos o déficit zero no segundo ano de governo, em dezembro de 2008, e depois disso o Rio Grande do Sul cresceu muito. Pegamos um Estado que não conseguia pagar a sua folha. Do momento em que assumimos até o momento em que saímos, com R$ 9 bilhões nos cofres, seja dinheiro do caixa único ou dos depósitos judiciais, provamos que era possível investir em todas as áreas. Nunca havia se gastado tanto quanto gastamos, mas gastávamos de acordo com o que arrecadávamos. Essa é a primeira regra. Logo que assumimos, fizemos um ajuste nas despesas de custeio, que é o que suga os cofres públicos. O investimento era quase zero, e estamos voltando a isso. Fizemos ajuste ao cortar 30% dos cargos de confiança, e eles não fizeram falta. E cortamos 30% do custeio. Nunca qualquer outro Estado do Brasil havia feito um ajuste desse porte. Nós fizemos isso como primeiro ato, dizendo que gastaríamos nas atividades fim do governo estadual. E não nas atividades meio. Fizemos a reestruturação da dívida, se paga hoje muito menos do que se pagou no passado. Não me venham falar de dívida. Isso é lero-lero. Isso é enrolation. Houve uma reestruturação de dívida que permite ao Estado pagar menos. Fizemos isso com a dívida global, o Banco Mundial nos permitiu uma reestruturação inovadora e única. Trocamos dívida de sete anos por dívida de 30 anos, com taxa de juros infinitamente menor. O problema é que estão fazendo dívida outra vez. Toda vez que se tem déficit anual, alguém cobre, e se gera dívida. Esses R$ 4,2 bilhões são dívidas. Alguém vai ter de pagar um dia. Isso é um problema estrutural que mudamos. Com boa gestão financeira, o Estado passou a ser realmente o Rio Grande do Sul para o Brasil e para o mundo.
ZH — A senhora acredita que as políticas financeiras do seu governo foram engolidas pelas circunstâncias atuais?
Yeda — Mas esse era o propósito. O propósito era tentar apagar as estatísticas de boa gestão. Em quatro anos, não acreditaram que era possível fazer. Mostramos que era possível. O futuro haverá de dizer. A nossa opção foi por custeio. A avaliação vem pelos indicadores de violência, criminalidade, educação, saúde. E, infelizmente, esses indicadores estão piorando. O PIB decresceu.
ZH — Devido aos reajustes salariais ao funcionalismo, a folha crescerá 15% em 2013 e a inflação será de 5,5%. Os baixos salários de determinadas categorias justificam o risco dessa disparidade?
Yeda — Não é um dado que vai responder pelo modelo aplicado. Esse modelo atual é de gastos acima das receitas. O dado claro é a proposta que este governo tem de gastar a mais do que arrecada. Só de depósitos judiciais, serão R$ 4,2 bilhões. E não será para gastar em investimento. Eles já afirmaram que o orçamento do Estado não é para investir. É só para pagar pessoal.
ZH — O PT diz que o déficit zero se concretizou pela falta de investimento. Como a senhora responde?
Yeda — Eu não preciso analisar isso. A história já registrou. Nós gastamos mais do que qualquer outro governo. Isso é manobra diversionista. Afirmam coisas para alguém responder.
ZH — Ontem o governador Tarso Genro culpou o seu governo e o de Antônio Britto pela atual crise.
Yeda — Mas eu senti falta de uma coisa: faltou o dom Pedro I na crítica dele. Faltou na provocação dele o dom Pedro I.
ZH — O atual governo deveria promover reformas estruturais para diminuir a dívida?
Yeda — Não é o objetivo deles fazer reformas. E os problemas estruturais estão em todos os Estados, são típicos do Brasil, como a questão da Previdência. A causa do saque não se deve a nenhum problema estrutural. É uma decisão de gastar. É diferente. Em parte, eles receberam os problemas estruturais equacionados. É o caso da dívida global.
ZH — A senhora já decidiu se voltará a concorrer em 2014?
Yeda — Não, ainda não. Primeiro eu preciso acabar de escrever os meus dois livros que estão quase no fim.
ZH — Qual o tema dos livros?
Yeda — O primeiro é mais de caráter pessoal, com uma experiência de vida inteira que permitiu o sucesso do governo. Fomos reconhecidos pelo Rio Grande do Sul, pelo Brasil e pelo mundo. O resto é política. E o outro é um conjunto de inovações que foram feitas no nosso período de governo. Um deles é o déficit zero, que precisa ser melhor esmiuçado. Mas principalmente o Gabinete de Transição que fiz para enfrentar a crise da gravação apresentada (o vice-governador Paulo Feijó gravou o então chefe da Casa Civil, Cezar Busatto, dizendo que Banrisul e Daer financiavam partidos) na CPI. O primeiro livro é com tópicos que explicam que as inovações praticadas em quatro anos respondem pelo sucesso do governo. Entramos com caixa zero e nunca culpamos ninguém. Quando resolvemos nos candidatar, sabíamos o que iríamos encontrar. Não venham agora querer colocar a culpa em alguém. Que respondam pelo que fazem, assim como eu respondi pelo que fiz.
ZH — O que a senhora pretende contar do Gabinete de Transição montado à época da crise da gravação do Feijó?
Yeda — Eu vivi como governadora um período de "news of the world". Colocaram 15 segundos de uma gravação e decapitaram, jogaram na fogueira, paralisaram. Escândalo tem valor. Venderam muitos escândalos. Foram 15 mil horas gravadas e saíram 15 segundos, escolhidos a dedo. Quando foi apresentada parte daquela gravação do Feijó feita com o Busatto, o Estado parou. Foi uma coisa inacreditável. Era preciso tomar uma atitude. Era o vice-governador gravando o chefe da Casa Civil e editando fitas para apresentar na CPI. Eu resolvi, como parlamentarista que sou, fazer um Gabinete de Transição até acabar a CPI para mostrar a população que tinha governo, que os partidos de base estavam apoiando. Eu pedi a cada partido um representante e, de modo aberto, fizemos uma audiência com toda a sociedade, com sindicato de professores, de trabalhadores, nomes como Paulo Brossard, os institutos de pensar dos partidos políticos. Foi um período em que ouvimos a sociedade para nos analisar. Não houve problema de governabilidade. Houve um período muito crítico e triste de vender escândalos, um atrás do outro, sempre a mesma coisa. E, quando acabou a CPI, reabrimos o Piratini. Mas, neste período, o Gabinete de Transição respondia pelas decisões grandes. Na verdade, era um conselho que operava. Ele não era só para constar. Sobre o Gabinete de Transição, falei esses dias com o Fernando Henrique. Ele disse: "Tu tem de publicar isso".
ZH — A senhora mantém a convicção de que conexões de Brasília conspiraram contra o seu governo ou as crises foram motivadas por causas reais?
Yeda — Não, aquilo foi o de menos. Aconteceu que o governo não foi mais de pires na mão para Brasília. Acabou esse período. Fizemos um governo de ajuste de contas e não fomos mais de pires na mão para Brasília, que prometia e não dava, prometia e não cumpria, mas nós cumprimos. Fizemos a ponte do Arruda em dez meses, a ERS-471, pagamos precatórios, fizemos de tudo. Naquele período, Brasília deixou de ter a importância do poder central que impede o Rio Grande de fazer as coisas. Ninguém nos impediu de fazer nada, apesar do jogo político. A gente já poderia ter 360 quilômetros de rodovias duplicadas, com redução de acidentes, com pedágio desde 1º de janeiro de 2009 30% mais barato. Por que ele (Tarso) está pagando esse pedágio? Por que impediram a gente de pagar 30% mais barato com o Duplica RS? Não teria mais dívida com empreiteiros. Eles impediram o Rio Grande do Sul de fazer ainda mais, mas eles não nos impediram de crescer. Eu acho que a gente cresceu 10% em 2009, eu não me lembro, mas era um crescimento chinês. O que nós mostramos é que é importante Brasília cumprir as regras. E, mesmo quando politicamente os líderes estaduais fizeram tentativas de não deixar as coisas acontecerem, nós fomos maioria, fomos um conjunto de partidos que levou adiante o nosso plano de governo. Poderia ter sido ainda melhor, certamente, se não tivessem impedido alguns programas de transformação do custo Rio Grande, como o Duplica RS. Esse é o mais claro. Ou se tivéssemos conseguido mudar o modelo do sistema prisional, com aquela PPP em Canoas que já estaria operando com três mil vagas.
ZH — Quando a senhora diz que impediram as suas políticas, se refere ao PT ou ao governo federal?
Yeda — O governo federal simplesmente atende o interesse dos seus aliados. Eu não nomino o PT. O ministro dos Transportes, que era do PR, nem era do PT, e depois foi defenestrado, ele disse que não ia aceitar o Duplica RS com base em lei na Assembleia. São os aliados que atendem interesses. O Rio Grande se atrasou. Eles impediram um novo sistema prisional e também a ERS-010, coisas de um país desenvolvido. ZERO HORA
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Facção porto-alegrense é investigada por morte de taxistas em Santana do Livramento
A Policia Nacional do Uruguai trabalha com a hipótese de que uma guerra envolvendo quadrilhas uruguaias e brasileiras esteja por trás do assassinato de três taxistas ocorrido em Santana do Livramento e na sua cidade gêmea, a uruguaia Rivera, na última quinta-feira. O mais curioso é que algumas linhas de investigação apontam que uma facção criminal com grande atuação nos presídios gaúchos e raízes em Porto Alegre, os Bala na Cara, pode ter envolvimento no triplo homicídio. A suspeita acontece porque um traficante uruguaio preso no Presídio Central de Porto Alegre, Ernesto Andréz Villanova Vargas, o Cachorrinho, teria ligações com os Bala na Cara, inclusive estando abrigado numa ala da facção na penitenciária porto-alegrense. A informação sobre a suposta participação da facção gaúcha nos crimes foi publicada pelo jornal uruguaio El País, com base em fontes da Policia Nacional uruguaia. Vargas cumpre prisão preventiva pelo assassinato de um rival brasileiro no Uruguai. Ele foi preso em Santana do Livramento pelo delegado Eduardo Finn, que agora investiga o triplo assassinato de taxistas. O grupo de Vargas é suspeito de ordenar o assassinato do traficante uruguaio Mailcon Jacson Saldivia, baleado dia 14 e que morreu, em decorrência dos ferimentos, no último domingo, em Rivera. Saldivia gerenciava uma boca de fumo que funciona junto a uma casa de jogos de bilhar situada na esquina das ruas Barnabé Rivera e Figueroa, na cidade uruguaia. Há suspeitas de que o taxista brasileiro Enio Lecina, um dos mortos semana passada, tenha testemunhado a execução do traficante uruguaio e, por isso, possa ter sido perseguido e executado posteriormente. Os outros dois taxistas assassinados, o brasileiro Hélio Beltrão do Espírito Santo Pinto (ex-PM) e o uruguaio Márcio Fabiano Magalhães Oliveira, receberam chamadas no celular na madrugada de quinta-feira, pouco antes de serem executados. Os telefonemas eram de supostos clientes. Pinto foi expulso da Brigada Militar por corrupção. Policiais uruguaios e brasileiros suspeitam que esses dois taxistas possam ter morrido como vingança dos traficantes contra os clientes para quem eles trabalhavam. Os três taxistas mortos semana passada em Livramento e Rivera foram assassinados com a mesma arma, calibre .22, o que leva à suspeita de que o matador seja um só.
terça-feira, 2 de abril de 2013
De volta do futuro
Curioso, perguntei a um transeunte do que se tratava. Um tanto incrédulo com minha ignorância, o rapaz explicou que era a homenagem ao São Lula, ex-presidente e "pai dos pobres". Havia uma estátua dessas em cada cidade grande do país. Afinal, tínhamos a obrigação de celebrar os 150 milhões de brasileiros incluídos no Bolsa Família.
Após o susto inicial, eu quis saber quem pagava por tanta esmola, e se isso não gerava uma nefasta dependência do Estado. O rapaz parece não ter compreendido minha pergunta. Disse que estava com pressa para entrar na fila do pão, e que seu cartão de racionamento ainda dava direito a uns bons cem gramas.
Em seguida, vi na televisão de uma loja um rosto conhecido, ainda que envelhecido. Era o ministro Guido Mantega! E pelo visto ele ainda era o ministro. Ele estava explicando o motivo pelo qual sua previsão de crescimento de 5% não se concretizou. A queda de 3% do PIB havia sido culpa da crise em Madagascar. Mas tudo iria melhorar no próximo ano.
Notei então o preço do aparelho de TV: 100 mil bolívares. Assustado, perguntei ao vendedor do que se tratava, explicando que eu era de fora. O homem disse que, em 2022, após a inflação chegar em 20% ao mês, o governo cortou três zeros da moeda. Pensei logo no bigodudo. Como isso não funcionou, o governo decidiu adotar o bolívar, moeda comum do Mercosul.
Descobri que os países "bolivarianos" chegaram a adotar o escambo, depois que suas respectivas moedas perderam quase todo o valor frente ao dólar. A moeda comum foi uma medida urgente, pois estava difícil efetuar as trocas. O criador de gado argentino precisava encontrar um produtor de soja brasileiro disposto a trocar o mesmo valor de gado por soja. Era um caos!
Levantei ainda alguns dados no jornal "Granma Brasil" (parece que o "controle democrático" da imprensa havia finalmente passado, e o governo se tornou o dono do único jornal no país). A inflação oficial era de "apenas" 30%, mas todos sabiam nas ruas que ela era ao menos o triplo disso. Um centenário Delfim Netto desqualificava os críticos do Banco Central como "ortodoxos fanáticos".
Não havia mais miserável no Brasil, pois a linha de pobreza era calculada com base no mesmo valor nominal de 2010. Mas havia mendigos para todo lado. Um desses mendigos me pareceu familiar. Eu poderia jurar que era o Mr. X! Mas não poderia ser. Afinal, ele era um dos homens mais ricos do país, e tinha ótimo relacionamento com o governo. O BNDES era um grande parceiro seu.
Foi quando decidi ver que fim tinha levado o banco estatal. Soube que, após o décimo aumento de capital na Petrobras (que agora importava toda a gasolina vendida), e vários calotes dos "campeões nacionais", o BNDES tinha se unido ao Banco do Brasil e à Caixa, esta falida nos escombros do Minha Casa Minha Vida, para formar o Banco do Povo. O símbolo era uma estrela vermelha.
O Tesouro já tinha injetado mais de US$ 2 trilhões no banco, para tampar os rombos criados na época da farra creditícia. Especialistas gregos foram chamados para prestar consultoria.
Com fome, procurei um restaurante. Todos eram muito parecidos, e tinham a mesma estrela vermelha na entrada. Soube então que era o resultado de um decreto do governo Mercadante em 2018. Em nome da igualdade, todos os restaurantes teriam que fornecer o mesmo cardápio pelo mesmo preço. Frango era item de luxo, e custava muito caro. Continuei faminto.
Veio em minha direção uma multidão de mulheres desesperadas protestando. Quis saber o que era aquilo, e me explicaram que, em 2014, quase todas as empregadas domésticas perderam seus empregos por causa de mudanças nas leis. Havia ficado proibitivo contratá-las. Desde então, elas vagam pelas ruas protestando e mendigando, sem oportunidades de emprego. "O inferno está cheio de boas intenções", pensei.
Um rebuliço começou perto de mim, e uma tropa de choque surgiu do nada e arrastou um sujeito até a cadeia. Descobri que ele foi acusado de homofobia e enquadrado na Lei Jean Willys, pegando 10 anos de prisão por ter dito abertamente que preferia um filho heterossexual a um filho gay. A pena foi acrescida de 2 anos pelo uso do termo gay, em vez de "homoafetivo".
Desesperado com tudo, eu ajustei minha máquina de volta para 2013, decidido a fazer o que estivesse ao meu limitado alcance para impedir um futuro tão maldito do meu país.
Rodrigo Constantino é economista
Tribunal de Justiça tranca o passo do prefeito de Rio Grande e anula lei que criava 40 CCs de livre nomeação
Mercadante leva o troféu de março
Justiça interdita outra repartição do governo do RS. Desta vez o juiz fechou a Fepam.
Denúncias de Marcos Valério colocam Lula no centro do Mensalão: MPF abre seis investigações criminais.
Após análise do depoimento, que durou cerca de duas semanas, os procuradores da República em Brasília concluíram pela existência de oito fatos tipificados, em tese, como crimes que exigem mais apuração.Dois já estão em investigação em outros inquéritos instaurados no âmbito do Ministério Público Federal. Os novos seis procedimentos preliminares foram distribuídos para procuradores diferentes, todos com atuação na área criminal. Quem ficar responsável pelo caso poderá pedir a abertura de inquérito a fim de produzir novas provas ou poderá optar por arquivar as acusações, caso não veja indícios suficientes para oferecer uma denúncia.
Foco. No depoimento prestado em 24 de setembro do ano passado, cuja íntegra de 13 páginas foi obtida pelo Estado, Marcos Valério coloca o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro das acusações do mensalão.O empresário afirma que o petista, que não tem mais foro privilegiado, deu "ok" para os empréstimos bancários que viriam a irrigar os pagamentos de deputados da base aliada e campanhas políticas de aliados ao governo.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, esperou o fim do julgamento do mensalão para despachar o depoimento. Ele temia que o depoimento fosse apenas uma manobra do empresário para atrapalhar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Valério foi condenado a mais de 40 anos de prisão.
Inicialmente, o depoimento foi remetido para análise do Ministério Público Federal em Minas Gerais. Em 11 de março, o procurador da República em Minas Gerais Leonardo Augusto Santos Melo, que havia recebido o depoimento em fevereiro, disse que alguns fatos narrados por Valério já estavam em apuração em Minas e encaminhou o depoimento para Brasília por entender que parte das acusações não teria relação com os fatos em investigação no Estado.O procurador mineiro alegou conflito de interesse no caso, ao contrário dos procuradores de Brasília, que decidiram abrir uma investigação preliminar.
A Procuradoria da República em Minas já investiga os repasses feitos por Valério à empresa do ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy. O operador do mensalão afirmou ter depositado um cheque de R$ 100 mil na conta da Caso Sistema de Segurança, uma empresa do setor de segurança privada. Ao investigar o mensalão, a CPI dos Correios detectou, em 2005, um pagamento feito pela SMPB, agência de publicidade de Valério, à empresa de Freud. O depósito foi feito, segundo dados do sigilo bancário quebrado pela comissão, em 21 e janeiro de 2003, no valor de R$ 98.500.
Em busca de benefícios. Em meio ao julgamento do mensalão, Valério foi voluntariamente à Procuradoria-Geral da República no dia 24 de setembro na tentativa de obter algum benefício em troca de novas informações sobre o caso. Em mais de três horas de depoimento, disse que o esquema do mensalão ajudou a bancar "despesas pessoais" do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No relato feito ao Ministério Público, Valério afirmou que no início de 2003 se reuniu com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o tesoureiro do PT à época, Delúbio Soares, no segundo andar do Palácio do Planalto, numa sala que ele descreveu como "ampla" que servia para "reuniões" e, às vezes, "para refeições". Lula então, segundo Valério, teria dado seu consentimento à operação que estava prestes a ser montada.
Ele contou ainda ter sido ameaçado de morte pelo PT caso decidisse contar o que sabia do esquema. Marcos Valério entregou cópia de alguns documentos para reforçar suas acusações à subprocuradora da República Cláudia Sampaio e para a procuradora da República Raquel Branquinho.
O depoimento na Procuradoria-Geral foi acompanhado pelo advogado Marcelo Leonardo, que defende o empresário. Por telefone, o advogado de Marcos Valério afirmou ontem que não comentaria a abertura dos procedimentos. "Não vou falar sobre aquilo de que não fui comunicado oficialmente", afirmou. (Estadão)
Finalmente começam as investigações sobre o verdadeiro chefe do Mensalão. Promotores abriram seis procedimentos contra Lula.
by Alana Rizzo e Felipe Recondo








